#Cultura – VAGÃO ROSA- Da polêmica ao veto!

metrorio-vagc3a3o-feminino_560

Olá meninas tudo bem?

Nos últimos tempos tem se falado muito neste assunto, muitas polemicas encima do ativismo social, girando em torno de opiniões contraditórias, brigando entre si para mostrar o que deve realmente priorizar o respeito a mulher em horário de pico no transporte publico, mais especificamente, no metrô, onde somos esmagalhados pela massa e transportados praticamente a vácuo.

Nessa situação infelizmente, “Seres”, (sim “Seres”, pois não posso nem chamar de homens) acabam se aproveitando da situação de verdadeiro aperto, para abusar de mulheres, situação essa, cada dia mais comum, uma atividade passiva de punição e que se tornou até uma espécie de fetichismo em redes sociais com comunidades de pessoas, tanto “encochaadores” como “encoxatrizes”  (mulheres que se sujeitam ao abuso, por prazer) OI?! Acredite se quiser, existe louco e louca pra tudo!

IMG_8703.PNG

Mas vamos aos fatos:

Recentemente, o projeto de lei que obriga a criação de um vagão exclusivo para as mulheres, o chamado “vagão rosa”, foi vetado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pressionado por protestos de organizações e movimentos de mulheres feministas que decidiram dizer não ao vagão. Muitos foram os argumentos no sentido de conscientizar as mulheres sobre o tal vagão segregacionista. Dentre eles, foram citados alguns exemplos sobre o suposto não funcionamento do vagão rosa que já existe no metrô do Rio de Janeiro.

A proposta, inicialmente uma medida para proteger as mulheres e evitar abusos sexuais, não foi bem recebida por movimentos feministas, que fizeram pressão nas ruas e na internet contra o “vagão rosa”.

Lendo o site “Carta Capital” vi um artigo de uma Feminista em que ela detalhava o porque da proposta do Vagão não ser funcional, e sim apenas mais um grande problema.

feminista

No começo desse post, antes da leitura de diversos artigos, confesso que eu era totalmente a favor e já tinha comprado a ideia, mas, pesquisando e entendendo o motivo dos protestos e pensando racionalmente no assunto percebo que realmente o VETO foi uma atitude digna das autoridades a ser tomada, por inúmeros motivos. EU, como não sou extremista em praticamente nada, e sim, apenas um ser humano que sente a necessidade de ter seus direitos preservados e livre de qualquer pré conceito, delibero me assim, de qualquer identificação com qualquer regime totalitário de atitudes ativistas, e resumo que o respeito deve ser mutuo independente do sexo, religião, raça, sexualidade, condição financeira, regionalidade, deficiência, idade e etc…

Mas, pensando pelo lado de que sou mulher e já passei por situações que me desagradaram, no começo até achei que seria um ato de cidadania para preservar a mulher desses descontentamentos, sabe?

Porque eu mudei de ideia?

Simples:

images (3)

Segregar não é a solução. A solução, como em vários problemas sociais que vivemos, está na educação. Esses agressores precisam aprender que o corpo de uma mulher não lhe pertence, assim como um racista precisa entender que o negro é gente, sucessivamente como o homofóbico tem de entender que homossexualismo não dita caráter.

É uma questão cultural, que no caso das mulheres tem a ver, maioria das vezes com a forma como as mulheres são vistas (e que algumas se enxergam também) como, objetos para satisfação masculina, semelhante a cultura do estupro, com a ideia de que “aproveitar a oportunidade” de estar em um vagão lotado para “se dar bem e passar a mão em alguém” é normal. E pior, achar que não é nada de mais, ou que ela provocou o abuso porque estava de saia curta ou decote. Resumindo, deve se entender que assim como para nós mulheres, em qualquer caso deve se agir com respeito e convivência pacífica. Como a Marcha das Mulheres  afirma: “Consideramos esse projeto um grande problema, pois propõe que, para os homens pararem de assediar as mulheres no transporte, somos nós mulheres que devemos perder o direito de entrar em todos vagões e ônibus. É um problema porque somos 52% da população, e em São Paulo representamos 58% dos(as) usuários(as) dos serviços de transporte público.”

A culpa é sempre da vítima!

Se não houvesse mulheres no metrô não haveria encochada…

Como se as mulheres devessem ser separadas do “normal” por serem frágeis e indefesas, obviamente que não deve se pensar na criação de um “vagão azul” para segregar os homens pelo fato de que somos maioria no metrô, isso não faria sentido nenhum, assim como vagão rosa já não faz. O assédio geralmente é resultado da cultura do estupro tão evidenciada pela pesquisa do Ipea que foi duramente criticada e provocou o movimento #NãoMereçoSerEstuprada. Ninguém pede pra ser estuprada ou abusada em lugar nenhum, porque ninguém tem o direito de invadir o espaço alheio. Separar a vítima do agressor é dar liberdade a ele. Como disse a socióloga Marília Moschkovich no artigo publicado na Carta Capital : “As mulheres, que sofrem as agressões, são confinadas a um espaço limitado. Quer dizer: além dos assédios que limitam nossa liberdade, as políticas públicas que deveriam combatê-los fazem o mesmo. Não faz o menor sentido, não tem a menor lógica. Para sermos livres precisamos ser menos livres – é isso, mesmo?”

IMG_8701.PNG

Separar homens de mulheres no espaço público pressupõe que os homens são incapazes de conter seu desejo sexual ao ver uma mulher. Nessa lógica, o homem se isenta da responsabilidade do assédio porque ele é incapaz de controlar seu órgão sexual, ou seja, ou seja impunidade.

Separar as mulheres dos homens no transporte público, ainda reforça essa ideia retrógrada e surreal de que a heterossexualidade e heteroafetividade são o “normal” e o “natural”, os relacionamentos gays e lésbicos são como sempre a exceção e a aberração.

E assim assumimos ainda, que não haverá “desejo sexual” pressupondo que seja essa a questão do assédio (que, sabemos, que não é) entre mulheres. Nem entre homens. Fingimos que também não existem vários tipos de assédio contra outras minorias no transporte público e no resto da sociedade brasileira, ou abusos e atos de racismo e preconceito nos vagões “normais”?

Além de tudo isso, uma reportagem do Globo  publicada no ano passado mostrou que homens usam o vagão rosa no Rio de Janeiro (onde já é lei desde 2006) porque não há fiscalização. Segundo uma das entrevistadas na reportagem: “Eles entram e ainda querem bater boca com as mulheres que reclamam. Já vi situações revoltantes, de o carro ter vários homens sentados, uma mulher grávida entrar, e ninguém falar nada”. Procuradas pela reportagem, as empresas de transporte disseram que o desrespeito é um problema comportamental, certificando assim, tudo que já foi dito acima…

IMG_8700.PNG

Concluo então que, mesmo com um numero enorme de informações por ai, opiniões extremistas e muita polemica envolvida, entendo que o “Vagão Rosa” mesmo que idealizado como a melhor das intenções, afim de sanar um problema publico e diário, com um volume progressivo de acontecimentos a cada dia mais assustadores, infelizmente não resolve em nada o problema, ofende as feministas, segmenta as abusadas, delibera a culpa do agressor e ainda como em todo sistema é burlado com muita facilidade, gerando o desafio e aguçando a curiosidade ainda mais desses mal feitores!

A denuncia é melhor forma de punir qualquer tipo de abuso ou assédio, não fique calada, denuncie as autoridades policiais, hoje felizmente contamos com ajuda na especialização da delegacia da mulher, onde seu caso será tratado com descrição e investigado para que o autor do ato seja deveras punido, assim você alem de se proteger de um novo ataque, ainda ajuda tira lo das ruas salvando outras mulheres de sofrer algo parecido ou até pior. Porque, como diz minha vó, quem rouba dez centavos, rouba dez milhões!

Não precisamos de um vagão, precisamos de respeito, todos nós merecemos ir para casa no horário de pico, depois de um dia cansativo de trabalho, já passando pelo processo dificultoso da super lotação e ser ao menos respeitadas e tratadas com dignidade e educação!

IMG_8704.PNG

Quando isso vai acontecer?

Quando começar por você! Respeite seu próximo, se cada um que ler esse artigo respeitar, já contaminamos aquelas cinco pessoas ao nosso redor! Seja educado, não ande com objetos de valores e artigos que chamem atenção para assalto e se estiver com uma roupa aberta, procure não ficar totalmente exposta, tente achar um local um pouco mais isolado da multidão, pois na hora do aperto, assim como os pertencem somem sem ao menos a gente perceber, esses abusadores não perdoam!

Então, sem radicalismo, ok? Apenas previna se como em qualquer outra situação, não tente mudar as atitudes dos outros, mude as suas e o seu mundo já será melhor!
Não fique a mercê do perigo por nenhum motivo!

Boa sorte e até a próxima!

wpid-logo-clin-peq191 (1)

Anúncios

Marcado:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: